Ucrânia. Rússia ausente da reunião da OSCE, EUA criticam postura

15/02/2022

A reunião em Viena foi convocada por a Ucrânia ter ativado uma cláusula do acordo da OSCE sobre transparência no movimento de tropas, denominado Documento de Viena.

Este Documento de Viena promove medidas de transparência entre as forças armadas dos seus 57 países membros.

“Infelizmente, mas talvez não surpreendentemente, a Federação Russa não veio hoje”, salientou o embaixador dos EUA na OSCE, Michael Carpenter, durante a reunião, segundo um comunicado enviado à imprensa.

O norte-americano acusou a Rússia de não ter em conta as preocupações legítimas da Ucrânia sobre a sua segurança.

“Além disso, a Rússia caracterizou como ‘inaceitável’ e ‘provocativa’ a invocação da Ucrânia de medidas de redução de risco ao abrigo do Documento de Viena, também acordado pela Rússia”, criticou Carpenter.

A OSCE, que emergiu da Guerra Fria, é uma das poucas plataformas multilaterais para discussões Leste-Oeste.

Numa mensagem divulgada na rede social Twitter, a missão francesa na OSCE pediu a Moscovo, em nome da União Europeia, que “desarme a crise e se comprometa construtivamente no caminho diplomático”.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Alexander Grushko, tinha revelado hoje que a Rússia não ia participar na reunião.

Grushko criticou a OSCE por responder à Ucrânia, alertando que a organização de 57 membros não deve ser envolvida em jogos políticos.

“Se alguém vai jogar algum tipo de jogo político, que o faça, mas nós ainda levamos a sério as ferramentas de construção de confiança e segurança e não permitiremos que sejam utilizadas para fins inconvenientes”, disse Grushko, citado pela agência oficial russa TASS.

“Os mais preocupados com a pureza do Documento de Viena não levantaram um dedo para iniciar os procedimentos adequados quando o exército ucraniano bombardeou o seu próprio povo [na região do Donbass] e levou a cabo uma verdadeira operação militar contra eles, com a participação das Forças Armadas”, acrescentou.

A OSCE mantém uma missão de acompanhamento do conflito no Donbass, onde separatistas pró-russos apoiados por Moscovo estão em guerra com a Ucrânia desde 2014.

Desde então, o conflito provocou cerca de 14.000 mortos e 1,5 milhões de deslocados, segundo as Nações Unidas.

A OSCE tinha realizado uma reunião semelhante na segunda-feira, a pedido dos países bálticos.

Antes desta crise ucraniana, decorreram menos de dez destas reuniões, desde a adoção do Documento de Viena em 1990.

O Documento de Viena estipula que qualquer um dos 57 países membros pode solicitar esclarecimentos sobre movimentos militares ou concentrações próximas do seu território.

No caso de mais de 9.000 soldados, o país deve informar os seus parceiros na organização e no caso de mais de 13.000 soldados, deve ainda convidar observadores internacionais.

Segundo informações da NATO, a Rússia reuniu mais de 100.000 soldados perto da fronteira com a Ucrânia.

A Rússia anunciou hoje uma retirada parcial das suas forças posicionadas nas fronteiras da Ucrânia, que há semanas alimentam o receio de uma invasão e posterior conflito militar.

O Presidente russo, Vladimir Putin, assegurou, após uma reunião com o chanceler alemão, Olaf Scholz, que a Rússia não quer uma guerra, insistindo que a expansão da NATO e as ambições da Ucrânia de aderir à Aliança Atlântica representam uma ameaça ao seu país.

Putin disse ainda estar empenhado em chegar a “um acordo sobre os problemas (…) através da diplomacia”, mas sublinhando que não cederá na exigência de evitar o alargamento da NATO na Europa de Leste.


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