Ucrânia: Inflação na Alemanha pode atingir 6,1% devido ao preço do gás

24/02/2022

As estimativas da entidade apontam ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) do país possa perder mais 1,4% em 2023 se os preços do gás subirem 50% face ao último trimestre de 2021.

O IW traçou dois cenários de impacto para a Alemanha, tendo em conta a evolução dos preços do gás, devido ao impacto da guerra na Ucrânia e no fornecimento deste recurso por parte da Rússia.

No primeiro cenário, os preços em 2022 mantinham-se elevados, com uma tendência semelhante à do final do ano passado: a inflação subiria para 4,3% em 2022 e 4,4% no próximo ano.

Mas se a subida dos preços for superior em 50% à registada nos últimos três meses do ano, o instituto conta que a inflação dispare para os 6,1%.

A Alemanha registou uma taxa de inflação de 3,1% em 2021, um recorde nos últimos trinta anos, resultado direto do impacto económico da pandemia. Em 2020, o aumento dos preços tinha atingido 0,5%.

O IW recordou que “mais de 50% das importações de gás da Alemanha são provenientes da Rússia” e acrescentou que, “mesmo que a Alemanha conseguisse ultrapassar a suspensão das entregas de gás a curto prazo, os preços do gás disparariam”.

Para os seus cálculos, o IW baseia-se nas previsões do Bundesbank, o banco federal alemão, que prevê que a inflação atinja 3,6% em 2022 e 2,2% em 2023.

O instituto avisa que o impacto da eventual subida dos preços do gás seria um abrandamento na recuperação da economia alemã pós-pandemia.

“Aqui só examinamos as possíveis consequências de um preço mais elevado do gás. O conflito envolve uma diminuição da confiança dos investidores, possíveis sanções comerciais ou quebra de produção”, afirmou a coautora do estudo, Galina Kolev, em comunicado.

Thomas Obst, outro coautor, notou que “as consequências económicas de um conflito militar dificilmente podem ser estimadas”.

Este trabalho do IW surge depois de o vice-chanceler e ministro da Economia alemão, Robert Habeck, ter dito na quinta-feira que o país está em condições de garantir o fornecimento de energia sem gás russo e que não pode confiar num país que viola o direito internacional.


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