Ucrânia: As três semanas de guerra que abalaram o mundo

16/03/2022

A invasão da Ucrânia pela Rússia provocou em três semanas centenas de mortos e fez com que milhões de pessoas fugissem para países vizinhos, e apesar de diversas rondas negociais ainda não há um cessar-fogo à vista.

Principais momentos que marcam a invasão russa até hoje, com base num balanço fornecido pela agência noticiosa France-Presse (AFP):

Início da invasão

Na madrugada de 24 de fevereiro, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, anuncia uma “operação militar especial” na Ucrânia para defender as autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e de Lugansk, cuja independência foi reconhecida pelo Kremlin três dias antes.

Várias explosões são registadas em Kiev, capital da Ucrânia, em várias cidades do país.

As Forças Armadas russas entram no território ucraniano a partir da Rússia e da Bielorrússia e acabam por ocupar a central nuclear de Chernobyl.

A ofensiva militar russa é condenada por grande parte da comunidade internacional.

Aumento de tensões em cenário de guerra aberta

Em 26 de fevereiro, as Forças Armadas russas recebem instruções para aumentar a intensidade da ofensiva na Ucrânia.

No dia seguinte, o Presidente russo anuncia que colocou todos os dispositivos bélicos em alerta, incluindo o armamento nuclear.

Os Estados Unidos da América (EUA) repudiam a escalada do conflito e a ameaça de uma guerra nuclear.

A União Europeia (UE) anuncia a aquisição e entrega de armamento para a Ucrânia.

Tensões entre Ocidente e Rússia no nível mais alto

Vários países ocidentais, nomeadamente os EUA e os Estados-membros da UE anunciam sanções económico-financeiras severas contra a Rússia, que incluem o Presidente e vários oligarcas russos, conduzindo ao colapso do rublo.

Vários países, incluindo Portugal, encerram os espaços aéreos a aviões russos, um grande número de multinacionais anuncia o encerramento ou suspensão de estabelecimentos e serviços na Rússia, em repúdio à invasão e face à crescente pressão internacional.

A Rússia e a Bielorrússia são excluídas de várias competições desportivas e eventos culturais.

Os órgãos de comunicação social estatais da Rússia RT e Sputnik são bloqueados na Europa.

Primeiras negociações

Kiev e Moscovo iniciam as negociações em 28 de fevereiro na fronteira entre a Ucrânia e a Bielorrússia.

O Presidente russo exige o reconhecimento da região da Crimeia como um território da Rússia, a “desnazificação” da Ucrânia e que Kiev adquira o estatuto de neutralidade como pré-requisitos para um cessar-fogo e para o fim da guerra.

Moscovo exortou durante vários meses Kiev a garantir que nunca integraria a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que recebeu desde o início da guerra elogios de grande parte da comunidade internacional, insta Bruxelas a dar passos significativos rumo à integração na União Europeia.

Cidade ucranianas destruídas pelo conflito

Vários contingentes russos entram em Kharkiv (norte), a segunda maior cidade da Ucrânia, perto da fronteira com a Rússia.

Kherson (sul), uma cidade perto da península da Crimeia, é bombardeada e acaba por ‘cair nas mãos’ dos militares russos.

A artilharia russa atinge Mariupol (sudeste), um dos principais portos no Mar de Azov, um dia depois de ter conquistado o porto de Berdiansk.

As bolsas tentam recuperar dos ‘abalos’ provocados pela guerra, enquanto os preços do trigo, alumínio e dos hidrocarbonetos, produtos dos quais a Rússia é um dos principais exportadores, ‘disparam’.

No dia 03 de março, a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) vota com uma esmagadora maioria uma resolução a exigir o fim da ofensiva russa.

Durante a noite deste dia, os militares russos assumem o controlo da central nuclear de Zaporijia (sul), a maior da Europa.

Retirada de civis

Em 04 de março, Moscovo bloqueia o acesso às redes sociais Facebook, Instagram e Twitter e impõe pesadas penalizações a quem difundir informações contraditórias à propaganda do Kremlin. Como consequência, vários órgãos de comunicação social estrangeiros suspendem a cobertura na Rússia.

São criados no dia 08 vários corredores humanitários para permitir a retirada de civis da cidade de Sumy (nordeste) e nos arredores de Kiev. Em Mykolaiv, perto de Odessa (sul), são visíveis filas de automóveis durante vários quilómetros para fugir aos combates entre as tropas russas e ucranianas.

A Justiça da Alemanha e de Espanha anuncia a abertura de uma investigação para averiguar possíveis crimes de guerra cometidos por Moscovo.

Embargo do Estados Unidos 

No dia 09 de março, o Kremlin denuncia o que considerou ser uma guerra económico-financeira perpetrada pelos Estados Unidos, um dia depois de Washington anunciar um embargo às exportações norte-americanas de petróleo e gás da Rússia.

Os líderes dos Estados-membros da União Europeia descartam uma adesão rápida da Ucrânia, mas abrem as portas para o estreitamento dos laços.

Uma base militar ucraniana é bombardeada no dia 13, a cerca de 20 quilómetros da fronteira com a Polónia, um dos 30 países que integra a NATO.

Primeiros-ministros europeus viajam para a Kiev

Em 15 de março é anunciada a retirada de cerca de 20.000 civis que estavam presos em Mariupol, uma das cidades mais fustigadas pela guerra depois de vários dias de cerco pelas tropas russas e constantes bombardeamentos.

A Rússia anuncia que vai abandonar o Conselho da Europa por considerar que a organização foi instrumentalizada pela NATO e pela União Europeia para fomentar uma expansão político-militar no leste do continente.

Os primeiros-ministros da Polónia, República Checa e Eslovénia deslocam-se a Kiev durante a noite para demonstrar o “apoio inequívoco” da UE à Ucrânia.

Negociações sobre o estatuto de neutralidade

No dia 15 de março, o Presidente da Ucrânia reconhece a impossibilidade de o país integrar a NATO.

No dia seguinte, o ministro do Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, anuncia que o estatuto da Ucrânia enquanto país neutro está a ser objeto “de sérias discussões” no âmbito das negociações entre os dois países.


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