Trump diz ter entregue documentos. Arquivos Nacionais pedem investigação

10/02/2022

Os Arquivos Nacionais e Administração de Documentos (NARA, na sigla em inglês), agência do governo norte-americano que cuida dos registos presidenciais, pediu ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos para que Donald Trump, antigo presidente dos EUA, seja investigado quanto à forma como lidou com documentos oficiais. O magnata, por sua vez, alega ter cooperado com o organismo, considerando que os meios de comunicação social transformaram a sua relação com os NARA em “notícias falsas”.

“A caracterização mediática da minha relação com os NARA é ‘fake news’ [notícias falsas, em português]. Foi exatamente o oposto! Foi uma grande honra trabalhar com os NARA, para ajuda a preservar formalmente o legado Trump”, disse o antigo presidente, em comunicado.

“Após discussões colaborativas e respeitosas, os NARA organizaram o transporte das caixas que continham os documentos presidenciais, conforme estipulado na Lei dos Registos Presidenciais [Presidential Records Act, em inglês]. Muito deste material estará, um dia, em exposição na Biblioteca Presidencial Donald J. Trump, para que o público possa ver os feitos incríveis desta administração pelo povo americano”, acrescentou, citado pela ABC News.

O Comité de Supervisão e Reforma da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos anunciou esta quinta-feira que investigará o caso, solicitando mais informação por parte dos NARA.

“Estou muito preocupada que estes registos não tenham sido fornecidos aos NARA imediatamente no final do governo de Trump e que, alegadamente, tenham sido removidos da Casa Branca em violação da Lei de Registos Presidenciais (PRA)”, escreveu Carolyn Maloney, presidente do comité, em comunicado.

“Também estou preocupada com os relatos recentes de que, quando estava no cargo, o presidente Trump tentou repetidamente destruir os registos presidenciais, o que poderá constituir mais violações graves da PRA.”

Recorde-se que, segundo avançou o The Washington Post, os NARA foram obrigados a recuperar 15 caixas com documentos presidenciais que, depois da saída da Casa Branca, Trump terá levado para a sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida.

No final do mandato, os chefes de Estado devem fornecer todos os documentos ao NARA. Ainda assim, o republicano terá guardado presentes de líderes estrangeiros, uma carta do antecessor Barack Obama, e ainda várias cartas escritas por Kim Jong Un, líder norte-coreano.

Contudo, os NARA indicam que alguns documentos ainda não foram recuperados, revelando que Trump costumava rasgar documentos de trabalho, outra prática contrária à lei de 1978.

Na verdade, alguns dos documentos foram “reconstruídos com fita adesiva” por “funcionários de gestão de registos da Casa Branca”, ao passo que outros foram deixados como os encontraram.


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