Schmidt confia: "Continuando neste nível, podemos terminar como campeões"

14/11/2022

Roger Schmidt esteve presente nesta segunda-feira no 22.º Fórum de Treinadores de Elite da UEFA. Entre vários treinadores, como o português Paulo Fonseca e até Christophe Galtier, com quem já teve de medir forças na Liga dos Campeões, o técnico do Benfica abriu o livro e falou sobre a época das águias no plano geral.

Chegado no início da época 2022/23, Schmidt contou aquilo que disse aos jogadores no arranque da temporada.

“Falámos sobre o que precisávamos para sermos especiais, para termos uma temporada bem-sucedida. Ficou claro que necessitávamos de forças básicas, isto é, que tínhamos de trabalhar muito e tornarmo-nos numa equipa com uma ideia de jogo muito bem definida. Focámos nestes tópicos para desenvolver o nosso trabalh”, começou por dizer.

O Benfica leva 25 vitórias na temporada, batendo a marca do Benfica de Béla Guttman. Schmidt não mostrou preocupações com a reação da sua equipa com uma derrota, preferindo pensar em formas de o evitar.

“Essa não é a minha forma de pensar. Claro que, algum dia, perderemos um jogo, não somos invencíveis, faz parte do futebol. Procuramos olhar apenas para o jogo seguinte, esta é a nossa abordagem. Pensar num jogo e focarmo-nos nele, em vez de olhar mais para a frente. Se estivermos completamente concentrados num jogo, será sempre possível vencê-lo. Construir uma série com muitas vitórias e sem derrotas, a este nível, parece-nos ser uma coisa muito difícil quando olhamos para trás, mas nós pensamos jogo a jogo, e em cada jogo podemos vencer. Esta é a nossa forma de estar. Um dia, quando perdermos, também saberemos gerir a situação”, acrescentou.

O calendário da I Liga, tal como das várias competições principais pela Europa vai ficar interrompido com o arranque do Mundial’2022. Schimdt viu algo positivo na paragem e apontou baterias para a Taça da Liga.

“O calendário que temos não é o melhor para nós, para ser sincero. Sei que temos a Taça da Liga, em Portugal, e eu respeito esta competição, mas, se compararmos o nosso calendário com os calendários de outros países, vamos ver que existe uma grande diferença. Na Alemanha, por exemplo, pararam agora e só retomam a competição no dia 23 de janeiro, são mais de dois meses sem jogos. Mas nós jogamos outra vez já no próximo domingo, quando arranca o Mundial. Parando agora, pode-se dar descanso aos jogadores, porque os últimos meses foram muito exigentes, e há possibilidade de fazer uma nova pré-época para preparar os jogadores para o resto da temporada. O nosso calendário tem uma pausa, mas não existe verdadeiramente uma interrupção no ritmo. O nosso desafio, agora, é ter uma boa abordagem, prepararmo-nos bem para a Taça da Liga e, em simultâneo, dar algum descanso aos jogadores para lhes renovar a energia para o resto da temporada”, confessou.

O mercado de janeiro está à porta e Schmidt acredita que investimentos estarão dependentes de uma análise da equipa.

“Como profissionais, temos de pensar sempre nessa possibilidade, é para isso que se abre a janela de transferências. Fazer alguma coisa nesse período depende das opções que tenhamos e das análises que façamos. Temos uma boa equipa, alguns jogadores não foram muito utilizados na primeira fase da época, também devido a lesões. Lucas Veríssimo e João Victor estiveram lesionados durante muito tempo, Julian Draxler e Morato também pararam por causa de lesões, Fredrik Aursnes é outro jogador que vai voltar… Temos boas opções, jogadores de qualidade, mas, para criar um equilíbrio perfeito na equipa, a janela de transferências de verão não é suficiente. Temos sempre de fazer alguns ajustes, mas, no nosso caso, não é uma grande necessidade. Vamos analisar o mercado e depois veremos se fazemos alguma coisa”, afirmou ainda.

Com o melhor ataque, a melhor defesa e o melhor marcador da I Liga, Schmidt aponta a grandes conquista nesta época.

“Continuando neste nível, podemos terminar como campeões nacionais, esse é o nosso principal objetivo. Estão disputadas apenas 13 jornadas, temos muitos jogos pela frente. Nada está feito nem conseguido, competimos com outras equipas de grande nível e existem sempre surpresas na Liga, há muitas equipas boas. Vimos na época passada, por exemplo, com quantos pontos é que o FC Porto terminou… Sabemos que existe muita qualidade, não podemos “parar” por termos alguns pontos de vantagem na liderança. Continuamos humildes, a querer estar em forma e a querer fazer o melhor para mantermos o avanço, este é o nosso desafio. Fizemos um bom trabalho até aqui, por isso temos oito pontos de vantagem, mas temos de continuar”, disse ainda, acrescentando.

“Para ser honesto, ainda não alcançámos nada. O que alcançámos, até aqui, foi chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões e depois o apuramento para os oitavos de final. Algo que é fruto do nosso trabalho, assim como ainda estarmos a disputar todas as competições. Na minha opinião, conseguimos jogar bom futebol, consistente, no último mês, sendo algo que nos traz confiança. O início no Benfica também foi ótimo. Senti-me bem-vindo, os jogadores foram de grande entrega logo desde a pré-época, com muita intensidade nos treinos e conseguimos fazer uma equipa com o nosso estilo de jogo. Começámos a focar-nos jogo a jogo, entrámos num bom momento e as coisas hoje estão como estão. O desafio agora é manter este nível, continuar a trabalhar no duro e nunca perder o foco. É preciso também recordarmos o que fizemos para estar neste nível. Temos de mostrar isso e, se tudo correr bem, podemos realmente alcançar algo importante no final da época”, acrescentou.

Com uma campanha memorável no Benfica, Schmidt despista nas perguntas sobre… vencer a Liga dos Campeões.

“Vamos ver o que é possível alcançar nesta temporada. O que alcançámos, para já, foi fazer parte da Liga dos Campeões depois da entrada do novo ano. Foi o primeiro passo que demos, e agora em cada ronda temos de dar o nosso melhor para tentar seguir em frente. Nada é impossível, mas sabemos onde estamos. Todos sabemos o que outros clubes podem fazer e quais são os seus orçamentos, quais são os valores dos seus jogadores. Tudo isto faz parte do futebol neste nível, mas neste desporto tudo é possível. Não temos de olhar muito para a frente no futuro. Temos de estar focados jogo a jogo e não sonhar com alguma coisa ainda distante. Vamos manter esta abordagem, e depois tudo é possível”, concluiu.

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