Poesia completa de Sá de Miranda revista e aumentada publicada este mês

02/03/2022

Com o título “Poesia”, este monumental volume de mais de 1.700 páginas apura as leituras de edições anteriores, a partir de impressos e manuscritos — quer da mão do autor, quer copiada em cancioneiros dos séculos XVI e XVII —, e acrescenta-lhe novas versões de composições poéticas, anunciou a editora.

Para além de uma apresentação atualizada deste clássico, a edição é ainda enriquecida com uma variada e abrangente seleção de auxiliares ao entendimento da obra, bem como de vários estudos introdutórios sobre a linguagem poética e a vida de Sá de Miranda.

Hélio J. S. Alves assina “A linguagem poética de Sá de Miranda”, José Javier Rodríguez Rodríguez escreve sobre “Las églogas de Sá de Miranda”, Marcia Arruda Franco dedica-se ao “Soneto de sete faces”, Ana María S. Tarrio aborda o tema “A viagem maior. Francisco de Sá de Miranda e os autores clássicos”, enquanto T. F. Earle explora “A obra de Francisco de Sá de Miranda vista pelos poetas quinhentistas”.

A obra inclui ainda um vasto aparato de variantes, notas contextuais, glossário e um longo catálogo bibliográfico.

Vulto do Renascimento em Portugal, Francisco Sá de Miranda nasceu em Coimbra em 1481, cursou Leis, em Lisboa, e foi amigo de Bernardim Ribeiro.

O escritor e humanista privou com a corte e foi próximo do rei João III, seu protetor, tendo assimilado as inovações do Renascimento italiano e aperfeiçoado o ‘dolce stil nuovo’, durante a sua viagem a Itália.

No regresso, iniciou uma profunda renovação literária em Portugal, com a introdução dos versos grandes do decassílabo (que ficariam conhecidos como a “medida nova”, em oposição à “medida velha”, a das redondilhas), novas formas (sonetos, tercetos e oitavas) e também novas modalidades líricas (canções, cartas, éclogas e elegias, mas sem nunca deixar de fazer cantigas, esparsas e vilancetes).

Francisco de Sá de Miranda foi mentor dos principais poetas seus contemporâneos, em especial de António Ferreira, Diogo Bernardes e Pêro Andrade de Caminha e foi influenciando muitos mais, ao longo dos séculos, até à contemporaneidade.

José Camões é investigador principal da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde leciona no programa de pós-graduação em Estudos de Teatro, e desenvolve investigação sobre a História do Teatro em Portugal, estudos comparatistas do teatro ibérico do século de ouro e edição de teatro clássico português.

Filipa de Freitas é licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, mestre em Estudos Portugueses (com uma dissertação sobre Francisco de Sá de Miranda) e mestre em Filosofia (com uma dissertação sobre Fernando Pessoa/Barão de Teive).


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