PM italiana propõe dia nacional para combatentes contra a máfia em Itália

16/01/2023

“Estamos acostumados a lembrar, acima de tudo, aqueles que fazem o sacrifício final na luta contra a máfia”, disse Giorgia Meloni aos jornalistas.

“Entretanto, há pessoas que sacrificam toda a sua existência para atingir esses objetivos. (…) Gostaria que hoje fosse o dia em que se celebra o trabalho destes homens e mulheres”, afirmou.

“É uma proposta que vou fazer: um dia de festa para dizermos aos nossos filhos que a máfia pode ser derrotada”, sublinhou.

A primeira-ministra italiana lembrou, entretanto, que a máfia ainda não foi derrotada.

“Não ganhamos a guerra. (…) Mas esta foi uma batalha fundamental para vencer e é um grande golpe para o crime organizado”, afirmou, referindo-se à prisão do chefe da máfia Matteo Messina Denaro, considerado como o chefe da Cosa Nostra da Sicília.

Anteriormente, após ser divulgada a notícia da prisão de Denaro em Palermo, numa clínica em que recebia tratamento médico, Meloni disse que esta foi “uma grande vitória para o Estado, que demonstra que não se rende à máfia”.

Meloni notou que a detenção ocorreu um dia depois de se assinalarem 30 anos da prisão de Totò Riina, outro chefe do crime organizado siciliano.

A chefe de Estado agradeceu “às forças policiais e, em particular, aos carabineiros, à Procuradoria Nacional Antimáfia e à Procuradoria de Palermo pela captura do expoente máximo da delinquência mafiosa”.

“O Governo garante que a luta contra a criminalidade mafiosa vai continuar, sem tréguas”, acrescentou.

A captura do chefe mafioso, condenado à revelia a várias sentenças perpétuas pelos atentados da Cosa Nostra em 1993 e vários homicídios, ocorre após a intensificação das investigações levadas a cabo pelos procuradores de Palermo, Maurizio de Lucia e pelo procurador-adjunto Paolo Guido, refere a imprensa italiana.

Messina Denaro, 60 anos, deve cumprir as várias condenações pelos atentados de 1993 em Florença, Roma e Milão em que morreram, no total, 10 pessoas.

Denaro é também apontado pela justiça italiana como o “cérebro” do atentado à bomba que provocou a morte dos magistrados antimáfia em 1992 Paolo Borsellino e Giovani Falcone e a mulher, Francesca Morvillo, e ainda dos oito agentes que compunham a escolta.

A última sentença refere o papel de Messina Denaro na “estratégia dos atentados da Cosa Nostra” para pressionar o Estado, nos anos 1990 e provou a participação direta do mafioso nos atentados de 1992, reivindicados por Totò Riina, e nos ataques de 1993 oro s por Bernado Provenzano, um outro chefe da máfia siciliana.

Após os atentados de 1993, Messina Denaro desapareceu e, após a prisão de Riina e Provenzano, considerou-se que comandava a Cosa Nostra a partir de um paradeiro desconhecido.

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