Papa denuncia "campos de concentração" na Líbia e apela a um acordo na UE

07/02/2022

“O que se faz com os migrantes é criminoso, eles sofrem tanto para chegar ao mar, há gravações de campos de concentração, sim uso esta palavra, (…) podem vê-lo nestas gravações”, afirmou o pontífice, em declarações num programa do canal Rai 3.

A Líbia, país localizado a cerca de 300 quilómetros das costas italianas, faz parte da chamada rota migratória do Mediterrâneo Central, encarada como uma das mais mortais, que sai igualmente a partir da Argélia e da Tunísia em direção à Itália e a Malta.

Devido à situação do país, imerso num caos político e securitário desde a queda do regime de Muhammar Kadhafi em 2011, a Líbia não é considerada “um porto seguro” para os migrantes.

Mesmo assim, o país tornou-se um importante ponto de passagem para centenas de milhares de migrantes, sobretudo africanos e árabes que tentam fugir de conflitos, violência e da pobreza, que procuram alcançar a Europa através do mar Mediterrâneo.

O país tornou-se um terreno fértil para as redes de tráfico ilegal de migrantes e para situações de sequestro, tortura e violações, nomeadamente nos centros de detenção sobrelotados existentes naquele território, segundo as denúncias frequentes das organizações internacionais presentes no terreno.

Na mesma entrevista, o líder da Igreja Católica referiu-se ao Mediterrâneo como “o maior cemitério da Europa”, e lamentou que, depois de todo o sofrimento, os migrantes “sejam rejeitados”, recordando “os navios” humanitários que esperam vários dias para a atribuição de um porto seguro para atracar e para desembarcar as pessoas resgatadas em alto mar.

“Cada país deve dizer quantos migrantes deve acolher, é um problema de política interna, mas a UE deve colocar-se de acordo e assim alcançar um equilíbrio”, defendeu Francisco, citando os casos de Espanha e Itália, países que estão na “linha da frente” no que diz respeito à chegada de migrantes.

Para o Papa, os migrantes devem ser “acolhidos, acompanhados, promovidos e integrados”, especialmente com o declínio demográfico, porque “as pessoas são necessárias, e um migrante integrado ajuda o país”.

Questionado sobre os 19 migrantes que morreram recentemente de frio na Europa, entre a fronteira da Turquia e da Grécia, Francisco referiu-se à “cultura da indiferença” e às “categorias” da sociedade que dá o “primeiro lugar às guerras” e o “segundo lugar às pessoas”.

E deu como exemplo a guerra no Iémen, que eclodiu em 2014: “Há tantos anos que se fala dela, mas não se resolve porque o que conta é a venda de armas”.


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