MNE alerta para risco de vulnerabilidades nas cadeias de fornecimento

24/01/2023

João Gomes Cravinho, que falava em audição na Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, destacou a preocupação de “maior controle sobre a capacidade industrial, sobre cadeias de fornecimento e sobre cadeias de valor”, acrescentando: “Esta é uma oportunidade para Portugal, que é um país que oferece boas condições económicas, sociais e políticas, e que tem credibilidade internacional”.

“A globalização algo cega e desregulada das últimas décadas provocou desequilíbrios ao nível das interdependências e confianças mútuas, pelo que teremos de voltar a equilibrar a balança a esse respeito”, avisou perante os deputados.

O governante elencou como prioridades da política externa portuguesa a continuação do apoio bilateral à Ucrânia como parte do esforço internacional, o que liga com as “dinâmicas fundamentais” em relação à União Europeia (UE), na sustentação de “uma Europa da Defesa”, a somar ao alargamento e reforma institucional a promoção de uma política comercial ambiciosa.

“Estas são as áreas em que Portugal pode ter uma mais-valia específica, e que são essenciais para a promoção da Europa como um dos pólos de um mundo multipolar”, declarou.

Além disso, Portugal pretende reforçar as relações com países do Magrebe, através das Reuniões de Alto Nível com Marrocos e com a Argélia que já não têm lugar há demasiado tempo.

O ministro foi confrontado com a situação no Saara Ocidental, mas não indicou evoluções, apenas a referência ao diálogo com várias entidades e países vizinhos, incluindo a Espanha.

Também o agravamento da situação no Médio Oriente e o endurecimento do novo Governo israelita em relação à Palestina mereceu questões dos deputados, com João Gomes Cravinho a reiterar a defesa da existência de dois Estados, em coordenação com outros países, nomeadamente da UE, mas alertou que este é um processo que merece tempo.

“Se fizemos isto amanhã, o resultado seria zero”, respondeu à deputada do Bloco de Esquerda (BE), Joana Mortágua.

Além do Magrebe, está nas prioridades do Ministério dos Negócios Estrangeiros, intensificar as relações ibero-americanas, através da presença nacional a alto nível na Cimeira Ibero-Americana em março e na Cimeira UE com a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos em julho.

Cravinho foi desafiado pelo Partido Comunista Português (PCP) a propósito da situação na Venezuela e sobre o reconhecimento de quem está no poder após a dissolução do “governo interino” de Juan Guaidó, comentando apenas que “Portugal dialoga com quem está lá”, remetendo a resolução das diferenças para o plano político interno e para os tribunais.

Ainda sobre a América Latina, João Gomes Cravinho pretende “aproveitar a nova dinâmica no Brasil para dinamizar as relações com esse país-irmão”, após a saída do poder do ex-Presidente Jair Bolsonaro.

O governante adiantou que irá a Brasília em fevereiro para preparar a Cimeira luso-brasileira e a visita de Estado a Portugal do Presidente Lula da Silva em abril, recordando: “Desde 2016 que não se realizava esta Cimeira que era suposta ser anual”.

O chefe da diplomacia portuguesa pretende também visitar vários países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, visando a cooperação económica e o Acordo sobre a Mobilidade, e aprofundar o relacionamento político com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, aproveitando a primeira presidência lusófona, neste caso da Guiné-Bissau, da mesma.

Apontou também outras geografias, lembrando que acaba de chegar de uma visita a três países do sudeste asiático — Tailândia, Vietname e Singapura — “onde é perfeitamente claro que há um grande potencial para o relacionamento económico, cultural e político”, e ainda o diálogo com as grandes potências, tendo citado os Estados Unidos, China e Índia, “demonstrando que Portugal tem uma capacidade de interlocução no plano mundial”.

Durante as rondas de questões dos parlamentes, Cravinho foi ainda questionado sobre a represália das autoridades do Irão durante os protestos que estão a acontecer no país, expressando a sua “condenação veemente à repressão sobre manifestantes na luta pela liberdade de expressão e direito das mulheres”.

O ministro deixou ainda palavras de condenação sobre o assassinato de manifestantes “sem julgamento internacional aceitável, livre e justo”, alinhando com a política de sanções que a UE aplicou a cerca de 40 indivíduos e entidades iranianas.

Por fim, João Gomes Cravinho anunciou o apoio à reeleição de António Vitorino como diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), considerando que o ex-ministro português “fez um trabalho excecional” no seu mandato e “há todas as razões para ter mais cinco anos à frente desta organização fundamental no atual quadro mundial”.

Numa síntese da mensagem que quis deixar no parlamento, o chefe da diplomacia portuguesa descreveu “uma agenda intensa, multivetorial e afirmativa de Portugal”.

“Num contexto de grande mudança internacional em que temos de revisitar e relançar as nossas pontes com outras partes do mundo”, concluiu.

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