Mais de 300 denúncias de abusos contra menores em Luanda em dois anos

14/11/2022

Em declarações hoje à agência Lusa, o diretor do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério do Interior, intendente Hermenegildo de Brito, fez um balanço positivo da Campanha de Combate aos Abusos Sexuais contra Menores, iniciada em novembro de 2021, com um saldo de mais de 300 denúncias, “despertando quem estava há muito tempo no armário”.

Sobre a campanha, Hermenegildo de Brito disse que as denúncias são diárias e a campanha não pode ficar apenas pela sensibilização.

O responsável defendeu a necessida de criação nas esquadras de um apoio rápido às vítimas, nomeadamente psicológico e social, o que deverá acontecer a partir de janeiro, bem como para uma intervenção multissetorial.

“Vimos que os órgãos do Minint [Ministério do Interior] sozinhos não são capazes, é preciso uma intervenção ao mais alto nível, porque é muita gente a ser violentada”, referiu.

O responsável policial frisou que os crimes sexuais têm ocorrido maioritariamente em ambiente familiar, “e essa característica faz com que a ação dos órgãos do Minint seja diminuta, não se consegue colocar um polícia em cada residência”.

Segundo Hermenegildo de Brito, a sensibilização é a única via de prevenção, alertando as pessoas para a necessidade de denunciar o abusador, mesmo sendo o sustento familiar.

A demora da justiça é ainda um dos desafios desta luta contra os crimes sexuais, observou Hermenegildo de Brito, defendendo celeridade na tramitação desses processos.

“A campanha por si já não é sustentável, precisa de apoio multissetorial, mas o objetivo primário sentimos que alcançámos, que é o despertar da consciência das pessoas. Não tivemos denúncias apenas de crimes que ocorreram agora, mas de há cinco, seis anos”, salientou, enaltecendo o papel dos órgãos de comunicação social.

Questionado sobre as causas do elevado número de casos, Hermenegildo de Brito sublinhou que é impossível “apontar um fator isolado que esteja na origem dos crimes sexuais”, que vão desde os psicológicos, sociológicos e antropológicos.

“A crença em questões ocultas, a questão do lucro fácil, de feitiçaria, aquele que vai a um quimbanda [curandeiro], que te promete que para ter isto tens que violentar uma criança e tem que ser menor de 05 anos”, foram alguns dos fatores mencionados.

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