Londres não descarta novas sanções após execução de iraniano-britânico

16/01/2023

“Agora devemos, juntamente com os nossos aliados, analisar as próximas ações que vamos tomar para combater a crescente ameaça do Irão. Não estamos limitados às ações já anunciadas”, destacou James Cleverly à Câmara dos Comuns.

Apesar dos pedidos insistentes dos deputados, o ministro recusou-se, no entanto, a indicar se o Reino Unido pretende colocar a Guarda Revolucionária Iraniana, o Exército ideológico da República Islâmica, na lista de organizações terroristas.

Um porta-voz do primeiro-ministro Rishi Sunak também tinha explicado aos jornalistas que o governo britânico está a “considerar novas ações” em conjunto com os aliados.

Após a execução, no sábado, de Alireza Akbari, de 61 anos, ex-funcionário do Ministério da Defesa iraniano e cidadão iraniano-britânico, o Reino Unido respondeu ao sancionar o procurador-geral do Irão, Mohammad Jafar Montazeri.

Londres também convocou o responsável pela diplomacia iraniana no Irão e chamou de volta “temporariamente” o seu embaixador em Teerão.

“A execução de Akbari ocorre após décadas de repressão por um regime implacável”, salientou Cleverly, garantindo o apoio do Reino Unido ao povo iraniano que “exige direitos e liberdades”.

“Estamos a testemunhar ações vingativas de um regime enfraquecido e isolado, obcecado com a aniquilação do seu próprio povo, enfraquecido pelo medo de perder o poder e arruinar a sua reputação no mundo”, acrescentou.

O porta-voz do Ministério das Negócios Estrangeiros do Irão, Nasser Kanani, destacou, na rede social Twitter, que a execução de Alireza Akbari foi a resposta de Teerão à “ação do Reino Unido que violou a segurança nacional da República Islâmica do Irão”.

A mesma fonte acrescentou que a reação de Londres e das ONG de direitos humanos “mostra a sua ilegalidade e o não respeito pela lei”.

As autoridades judiciais iranianas anunciaram na quarta-feira a condenação à morte do ex-alto funcionário do Ministério da Defesa iraniano – embora se desconheça quando foi condenado -, por “espionagem para o MI6” em troca de “1.805.000 euros, 265.000 libras e 50.000 dólares norte-americanos”, de acordo com os meios de comunicação semioficiais Mehr.

A República Islâmica do Irão tem sido acusada de utilizar prisioneiros de dupla nacionalidade em particular, mas também de outros países, como medida de pressão ou para o intercâmbio de prisioneiros com outros países.

Estes atos têm sido classificados por outros países e organizações de direitos humanos como a “diplomacia dos reféns” do Irão.

Segundo a agência do poder judicial iraniano, designada como Mizan, Alireza Akbari, que ocupou o cargo de vice-ministro da Defesa durante o mandato do ex-presidente reformista Mohamed Katami (1997/2005), foi executado por enforcamento.

O Irão foi abalado por protestos que eclodiram após a morte em 16 de setembro de Mahsa Amini, uma curda iraniana de 22 anos, após a sua detenção pela polícia da moralidade iraniana por estar alegadamente a usar o véu islâmico de forma incorreta.

Dezoito pessoas foram condenadas à morte em conexão com os protestos, de acordo com um levantamento realizado pela agência de notícias AFP a partir de anúncios oficiais.

Quatro destes condenados já foram executados pelas autoridades iranianas.

Os confrontos com as forças de segurança iranianas já provocaram dezenas de mortos e centenas de feridos entre os manifestantes, de acordo com as ONG.

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