Justiça argelina confirma prisão para jornalista acusado de atacar Estado

16/01/2023

A decisão foi proferida no domingo pelo Tribunal de Argel, sem a presença dos defensores do jornalista argelino, rejeitando um recurso que tinha sido interposto pela defesa do jornalista argelino, segundo adiantou o advogado Mostefa Bouchachi.

“A audiência, inicialmente marcada para quarta-feira, foi antecipada para domingo sem o conhecimento dos advogados de defesa, que não foram informados desta decisão. Isto é uma violação do direito de defesa”, argumentou.

Ihsane El Kadi, diretor da estação argelina Radio M e do ‘site’ de notícias “Magreb Emergente”, está em prisão preventiva desde 29 de dezembro, após quatro dias sob custódia policial.

O jornalista é suspeito de “ter recebido somas dinheiro e privilégios de pessoas e organizações no país e no estrangeiro para exercer atividades suscetíveis de comprometer a segurança do Estado e a sua estabilidade”, segundo alegou o Tribunal de Argel.

Um dia depois da detenção de Ihsane El Kadi, a sede da agência Interface Médias, responsável pela Rádio M e o Magreb Emergente, foi selada e o equipamento apreendido.

Os dois meios de comunicação informaram, em comunicado, que desde a tarde de domingo estavam inacessíveis.

“A nossa equipa técnica está em processo de diagnóstico das fontes deste problema, numa tentativa de restaurar a acessibilidade normal aos nossos meios de comunicação”, referiu a nota.

Há uma semana, 16 responsáveis de comunicação de vários países, incluindo o vencedor do Prémio Nobel da Paz, Dmitry Muratov, apelaram, através da Repórteres Sem Fronteiras (RSF), à libertação do jornalista argelino e condenaram o ataque aos seus meios de comunicação.

Segundo a RSF, a detenção de Ihsane El Kadi teve “motivações políticas”, uma vez que ocorreu poucos dias depois da publicação de artigos críticos das autoridades argelinas.

A Argélia está em 134.º lugar entre 180 países no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2022 da RSF.

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