G20 prepara declaração sobre a guerra e afirmação contra armas nucleares

14/11/2022

As delegações dos países participantes, a que se juntam representantes da Comissão Europeia e do Conselho, intensificaram as negociações nas últimas horas para conseguir um consenso sobre os principais pontos de um texto, na ausência de acordo entre os líderes, na cimeira que terá lugar estas terça e quarta-feira, na ilha indonésia de Bali.

Um dos principais pontos é como incluir uma menção à guerra iniciada pela Rússia contra a Ucrânia que use essa palavra e não outras expressões, como “operação militar especial”, que Moscovo usa para se referir à invasão, ou alternativas mais ambíguas, como o “conflito armado”.

O mais recente rascunho da declaração, segundo fontes diplomáticas ocidentais, refere-se à situação na Ucrânia como “guerra” e utiliza linguagem semelhante à resolução da Assembleia Geral da ONU aprovada em março passado contra a invasão russa.

O texto final que os líderes do G20 – grupo das economias mais desenvolvidas e emergentes – planeiam aprovar poderia ecoar essa resolução sem alterar as posições dos países que votaram contra, incluindo a própria Rússia, ou outros que se abstiveram na votação do texto na ONU, como a China ou a Índia.

A resolução da ONU condenou a invasão da Rússia do país vizinho e exigiu a retirada imediata das suas tropas.

Dos 193 Estados-membros da ONU, 141 apoiaram o texto, enquanto apenas cinco votaram contra e 35 abstiveram-se.

Espera-se que o texto final inclua também uma declaração contra a utilização de armas nucleares em qualquer conflito e a favor de resoluções pacíficas, uma posição que tinha sido defendida pela União Europeia e por países como o Japão, o único na história que conheceu ataques atómicos.

Resta saber se o projeto discutido pelas delegações nacionais recebe a aprovação dos líderes dos 20 em Bali, entre os quais não está o Presidente russo, Vladimir Putin, cujo governo está representado na reunião pelo seu Ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov.

As crescentes divisões entre os países da UE, os Estados Unidos e outros parceiros, como o Japão, por um lado, e a Rússia e a China como polos principais, por outro, complicaram consideravelmente a cimeira de Bali e as possibilidades de terminar com um acordo mínimo.

Em nenhuma das reuniões do G20 a nível ministerial que antecederam esta cimeira, desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em fevereiro deste ano, conseguiu um documento de consenso devido às diferenças entre os membros sobre a inclusão de alusões ao conflito e em que condições o devem fazer.

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