Epidemiologista chinês desaconselha viagens a quem ainda não teve Covid

16/01/2023

“Não é recomendado que essas pessoas façam viagens de longa distância, porque as probabilidades de ficarem infetadas vão aumentar”, disse Fang, citado pelo jornal especializado Health Times.

O especialista aconselhou a quem ainda não foi infetado que “evite ir a locais públicos, se notar sintomas como dor de garganta ou tosse” e “procure atendimento médico”.

As declarações do especialista surgem nas vésperas do Ano Novo Lunar, quando centenas de milhões de trabalhadores chineses migrados nas cidades regressam às respetivas terras natais.

Trata-se da maior migração interna do planeta e coincide, este ano, com o fim da política de ‘zero casos’ de covid-19, que durante quase três anos restringiu o fluxo interno de pessoas no país asiático.

O fim das restrições, após protestos ocorridos em várias cidades da China, lançou uma vaga de infeções sem precedentes nas zonas urbanas, que deve agora alastrar-se ao interior do país, onde os recursos de saúde são considerados insuficientes.

As recomendações do especialista foram alvo de debate nas redes sociais do país. “Este ano só quero finalmente ir a casa”, afirmou um internauta na rede social Weibo, embora outros também tenham manifestado o seu receio de infetar familiares.

De acordo com um estudo da Universidade de Pequim, cerca de 900 milhões de pessoas já contraíram infeção pelo novo coronavírus na China, depois de o país ter desmantelado a política de ‘zero covid’.

Cerca de 60 mil pessoas morreram da doença entre 08 de dezembro, quando as restrições começaram a ser relaxadas, e 12 de janeiro deste ano, segundo dados oficiais.

O Conselho de Estado (Executivo) pediu, em meados do mês passado, às autoridades locais que deem prioridade aos serviços de saúde nas zonas rurais “para proteger a população”, apontando “a relativa escassez de recursos de saúde” e a proximidade da época festiva.

Em 08 de janeiro, a covid-19 deixou de ser gerida na China como uma doença de categoria A – nível de perigo máximo e para cuja contenção são necessárias as medidas mais severas – para se tornar uma doença de categoria B, que contempla menos controlos, marcando assim na prática o fim da política de ‘zero covid’.

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