Direita israelita questiona primeiro-ministro por defender dois Estados

22/09/2022

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“Lapid está a devolver os palestinianos à vanguarda do cenário mundial e a colocar Israel na armadilha palestiniana”, disse o ex-primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, na sua conta no Twitter.

“Não permitiremos que Lapid estabeleça um estado palestiniano”, acrescentou Netanyahu, recusando um regresso “à confusão de Oslo”, numa referência aos acordos fracassados de 1993, que tinham como finalidade a criação de dois Estados.

Os comentários de Netanyahu deram-se quase em simultâneo com o discurso de Lapid em Nova Iorque, onde afirmou que “apesar de todos os obstáculos, ainda hoje uma grande maioria dos israelitas apoia a visão da solução de dois Estados”.

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“Eu sou um deles. Só temos uma condição: que o futuro Estado palestiniano seja pacífico”, acrescentou.

Embora esta não seja a primeira vez que Lapid defende essa solução para o conflito com os palestinianos, é a primeira vez em muitos anos que um primeiro-ministro israelita expressa essa posição perante a ONU.

Outro político a questionar a posição de Lapid foi Betzalel Smotrich, líder da formação de extrema-direita Sionismo Religioso.

“Não se pode aceitar isto”, afirmou Smotrich no Twitter, qualificando as palavras de Lapid como “uma rendição vergonhosa ao terrorismo e uma tentativa de dividir o país, oferecer territórios e expulsar milhares de judeus das suas casas”.

Por sua vez, a atual ministra do Interior e líder do partido Casa Judaica, também de extrema-direita, juntou-se igualmente ao coro de críticas, que acontecem a pouco mais de um mês das eleições israelitas de 01 de novembro.

“Isto não passa de uma jogada eleitoral. Nunca permitiremos a criação de um Estado terrorista palestiniano no coração da Terra de Israel. Seria um foco de extremismo, terror e instabilidade regional”, frisou.

Embora muitos políticos de centro e de esquerda em Israel apoiem a solução de dois Estados, assim como uma grande parte de comunidade internacional, esta hipótese é rejeitada pelos partidos e eleitores de direita, que representam hoje a maioria da população israelita e que apoiam a expansão dos colonatos judeus em território palestiniano.

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