Conferência trabalhista no Reino Unido focada no "imoral" corte de impostos

25/09/2022

O encontro começou dois dias depois de o novo Governo, conduzido pela nova primeira-ministra, Liz Truss, ter anunciado uma série de cortes nos impostos para tentar estimular a economia, entre os quais a redução do imposto sobre o rendimento (IRS), eliminando o escalão mais elevado, de 45%, passando os contribuintes mais ricos a pagar apenas 40%, enquanto o escalão mais baixo vai descer de 20% para 19%.

O Partido Trabalhista elegeu este corte de impostos como uma questão crucial para os britânicos, que estão a lutar contra o pior aumento do custo de vida em décadas.

O líder trabalhista, Keir Starmer, disse aos seus apoiantes que o partido conservador “mostrou as suas verdadeiras cores”, ao fornecer benefícios fiscais aos que mais ganham.

“Tornam os ricos mais ricos e não fazem nada pelos trabalhadores”, afirmou, ao chegar à conferência.

Andy Burnham, o ‘mayor’ (presidente da Câmara) de Manchester, uma das maiores cidades do Reino Unido, considerou que esta política conservadora era “imoral”.

O Partido Trabalhista registou uma derrota esmagadora na última eleição geral, em 2019, sob o líder anterior, Jeremy Corbyn, e nesta conferência pretende reposicionar-se como uma alternativa credível de Governo.

Na abertura da conferência, os trabalhistas fizeram um minuto de silêncio em memória da rainha Isabel II e cantaram o hino nacional — a primeira vez que foi cantado numa conferência do partido, que tem muitos membros defensores da abolição da monarquia.

Starmer afirmou que atualmente há uma “crença num Governo trabalhista” entre um eleitorado que está a lidar com as crescentes contas de energia, que ajudaram a elevar a inflação para 9,9%, enquanto os trabalhadores recebem apenas modestos aumentos salariais.

O dirigente prometeu reverter o corte do imposto sobre o rendimento para os britânicos mais ricos e criar um imposto sobre lucros extraordinários para os produtores de energia.

O líder trabalhista também afirmou que um seu governo investiria em energia verde para acelerar a transição dos combustíveis fósseis.

Encabeçando os principais oradores do primeiro dia da conferência, a vice-líder dos trabalhistas, Angela Rayner, acusou o Governo de “abastecer os bolsos dos executivos do petróleo e do gás, enriquecendo os banqueiros, enquanto as famílias passam fome”.

O Governo de Truss rejeitou um imposto sobre lucros extraordinários e preferiu subsidiar as contas de energia de consumidores e empresas.

Estes subsídios devem custar aos contribuintes mais de 150 mil milhões de libras (170 mil milhões de euros).

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