Ativista russa diz que oposição motivou invasão e defende apoio da NATO

25/02/2022

A viver há uma década em Lisboa, é à distância que Ksenia Ashrafullina assiste apreensiva à guerra na Ucrânia, depois de a Rússia ter lançado na quinta-feira de madrugada uma ofensiva militar no país, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades.

“A situação interna de descontentamento absoluto, com muitíssimas manifestações especialmente em Moscovo e São Petersburgo nos últimos 10 anos, são que levaram [Vladimir Putin] a agir desta forma tão barbárica”, avaliou, em declarações à agência Lusa.

Para a ativista, opositora do regime do Presidente russo e que há um ano organizou a polémica manifestação de apoio a Alexei Navalny sobre a qual a Câmara Municipal de Lisboa partilhou dados dos manifestantes com a embaixada da Rússia, a invasão à Ucrânia foi o resultado de vários fatores.

“Uma pancada pela história alternativa, o descontentamento dos russos, a oposição forte, a vontade de poder negociar com as grandes potencias e de fazer parte do jogo geopolítico. Esses fatores levam a estes extremos e a querer ter estas guerras”, sustentou.

Acima de tudo, Ksenia Ashrafullina acredita que a escalada do conflito, com uma ofensiva militar em que não acreditava, foi uma “tentativa de desviar a atenção” em resposta ao crescente descontentamento interno e de se afirmar “como o unificador dos povos eslavos”.

No meio deste xadrez político, lamenta a inação da NATO que, em seu entender, deveria ter apoiado a Ucrânia desde o início, prevenindo a invasão. “Agora, podem demonstrar que estão dispostos a conter”, acrescentou.

Por outro lado, sublinhou também a importância das sanções contra a Rússia e justificou: “O regime é movido por dinheiro. (…) Putin depende dos oligarcas e se eles ficarem descontentes, vão fazer pressão interna e tentar escolher alguém diferente para representar os seus interesses”.

A ativista, que já se considera igualmente portuguesa, lançou também um desafio a Portugal, referindo-se concretamente a Roman Abramovich, o multimilionário russo que se naturalizou no ano passado ao abrigo da Lei da Nacionalidade como judeu sefardita.

“A primeira pesquisa no Google diz que é o oligarca-mor e a carteira de Putin, e agora tem a proteção total do Estado português”, disse, acrescentando que “Portugal tem uma oportunidade histórica de não ser um país hipócrita e retirar a cidadania às pessoas que apoiem estas guerras”.

Ksenia Ashrafullina deixou ainda uma palavra aos opositores russos na Rússia, especialmente àqueles que têm saído à rua para se manifestarem, afirmando que “são as pessoas mais corajosas”, e defendeu que quaisquer ações contra a Rússia devem visar os responsáveis pelo conflito e não os cidadãos russos.

A Rússia lançou na quinta-feira de madrugada uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que já provocaram pelo menos mais de 120 mortos, incluindo civis, e centenas de feridos, em território ucraniano, segundo Kiev. A ONU deu conta de 100.000 deslocados no primeiro dia de combates.

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que a “operação militar especial” na Ucrânia visa “desmilitarizar e desnazificar” o seu vizinho e que era a única maneira de o país se defender, precisando o Kremlin que a ofensiva durará o tempo necessário, dependendo de seus “resultados” e “relevância”.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional e motivou reuniões de emergência de vários governos, incluindo o português, e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), União Europeia (UE) e Conselho de Segurança da ONU, tendo sido aprovadas sanções em massa contra a Rússia.

MYCA // SB

Lusa


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